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![]() Nelson Leirner "Você faz parte" [1964] MAC USP Objetivos do GT Filosofar e ensinar a filosofar Como qualquer outro grupo que efetivamente propõe pesquisar e discutir as temáticas que lhe dão nome, não se limitando à mera reprodução de teses já conhecidas ou à adoção de procedimentos ou metodologias já prontas, pretendemos potencializar as forças hoje dispersas sobre o ensino de Filosofia nos programas de Pós-Graduação das Universidades do Brasil para contribuir com um debate em crescente consolidação e expansão. A função do grupo não será a de servir de amplificador ou reprodutor de doutrinas sobre o ensino de Filosofia, mas a de refletir criticamente e de modo original sobre questões fundamentais desta área. Em outras palavras, desde uma perspectiva filosófica sobre o ensino de Filosofia, este GT, em formação, propõe-se a criar e fortalecer um espaço potencializador das diversas formas de produção na área. Dado o diálogo que diversos membros da equipe proponente mantém com grupos de pesquisa de outros países – notadamente Argentina, França, Uruguai, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Espanha, Itália, Peru, México, Austrália e Grã Bretanha – este grupo visa, numa segunda etapa, consolidar e ampliar a interlocução com estes grupos. Justificativa Nos últimos anos assistimos uma significativa expansão do discurso filosófico, dentro e fora da academia. Por um lado, há aquelas práticas que poderíamos chamar de extra-acadêmicas [Ceppas, 2004]: os cafés filosóficos; a filosofia clínica (“aconselhamento filosófico” ou "filosofia prática"); cursos de filosofia em ambientes não-universitários, como museus, organizações não-governamentais, empresas, etc.; grupos de estudo informais; intervenções midiáticas, como a mais recente “Ser ou não Ser” no programa Fantástico da TV Globo; Olimpíadas de filosofia, livros de divulgação; listas de discussão e páginas na internet; a filosofia para (ou com) crianças. Por outro lado, o crescimento dos cursos de Filosofia na graduação e pós-graduação no país; a lenta, mas crescente consolidação da disciplina no ensino médio e a já formalizada inclusão da Filosofia como disciplina de nível fundamental em alguns municípios do país. No nível superior de ensino, verifica-se também a presença da Filosofia em programas de ingresso à Universidade e, em algumas, inclusive com presença no vestibular, bem como a reformulação das diretrizes para a formação de professores no terceiro grau, com aumento da carga horária relativa à Prática de Ensino fixada em, no mínimo, 400 horas [Cadernos Cedes, 2004]. Nos últimos anos, a presença obrigatória da Filosofia no nível médio de ensino tem monopolizado a preocupação de muitos professores de filosofia no Brasil. Em verdade, não é apenas no Brasil, mas em todos os países em que essa presença é ameaçada. Entre os países da América Latina, a situação se repete no Chile, na Argentina ou ainda no Uruguai, o país da região com uma tradição mais sólida e consistente na área, que tem mantido uma presença secular ininterrupta da Filosofia no seu sistema oficial de ensino nos últimos cem anos. Ainda na França, o país com mais tradição no ensino escolarizado da Filosofia, recorrentemente os professores de filosofia devem se mobilizar para resistir aos embates contra a presença da disciplina nos currículos. Nessas preocupações há um pressuposto poucas vezes problematizado, que associa a filosofia à formação para a cidadania crítica e responsável. Pressupõe-se, habitualmente, que o ensino de Filosofia fará uma diferença significativa, para melhor, na qualidade do processo educativo e, na maioria dos casos, se associa essa presença a uma “formação democrática, crítica ou cidadã”. A filosofia é vista como fonte de transformações e muitas vezes é apresentada com uma força fundamental para as transformações do sistema educacional. Essa presunção deve ser levada a sério e pensada cuidadosamente. Por uma parte, porque a filosofia faria muito bem em reconhecer seus limites e especificidades no seu campo de atuação, em pensar mais a fundo a singularidade de sua contribuição à prática educativa. Por outra parte, porque só a partir de uma percepção de si própria que deixe de lado os auto-elogios e os pressupostos não examinados, a filosofia pode pensar de forma mais interessante sua projeção e relação com outros saberes e instituições, como a escola e a universidade. O que queremos afirmar é que pensar a obrigatoriedade do ensino da Filosofia tem como condição a problematização sobre a própria filosofia, seus “que”, seus “como”, seus “por que”, seus “para que”. O que propomos é a criação de um espaço institucionalizado na Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia [ANPOF] em que esse caráter filosófico seja preservado, alimentado, fortalecido. Importa esclarecer que não somos contra a obrigatoriedade da disciplina, mas afirmamos, entretanto, a importância de uma interrogação insubstituível acerca do valor e do sentido de ensinar Filosofia. Se os debates sobre o ensino de Filosofia se concentram apenas na defesa de uma obrigatoriedade, algo de muito pouco filosófico poderia tomar conta da própria Filosofia. Felizmente, entre nós, há alguns indicadores que permitem sermos um pouco mais otimistas. O ensino de Filosofia é uma área de pesquisa cada vez mais fértil, potente, efervescente. Permanentemente há eventos, pesquisas rigorosas, produção de livros, linhas de pós-graduação nascendo. Os Fóruns Regionais de Ensino de Filosofia, surgidos do Congresso Nacional de Professores de Filosofia, realizado em Piracicaba, SP, em novembro de 2000 são uma mostra desta vitalidade. Desde então foram e vêm sendo organizados em um período de quatro anos, nada menos que doze Foros Regionais. E, sobretudo, há uma produção intelectual diversa, poderosa, inquietante. Novos grupos de pesquisa em diversas universidades brasileiras como a UNB, UNIMEP, UNESP-Araraquara, UNICAMP, USP, UFPI, UFPR, UERJ e UFSM testemunham este crescimento. Enfim, acreditamos que a problemática do Ensino de Filosofia excede, e muito, a inserção da Filosofia como disciplina no Ensino secundário brasileiro. Além da presença da Filosofia nos níveis fundamental, médio e superior de ensino, há toda uma circulação extra-acadêmica do discurso filosófico – ou pelo menos em nome da Filosofia – que interessa pensar. O Ensino de Filosofia, sua circulação em contextos de educação formal e informal, é um problema estritamente filosófico cuja inserção na comunidade de produção e discussão filosóficas muito contribuiria para pensar seus princípios, fundamentos e sentidos. Se o ensino de Filosofia é uma questão filosófica de relevância no atual contexto cultural, social e político do Brasil vemos nisso uma poderosa razão para sua inclusão como GT no âmbito da ANPOF. Referências bibliográficas CADERNOS CEDES. A filosofia e seu ensino. Campinas: UNICAMP, n. 64, set./dez. 2004 [Dossiê organizado por S. Gallo e W. Kohan] CAPALBO, Creuza [org.] Seminário Nacional sobre a Interdisciplinaridade no Ensino de Filosofia. Rio de Janeiro: UERJ, 1993-1994. CARTOLANO, Maria T. Filosofia no ensino de segundo grau. S. Paulo: Cortez, 1985. CEPPAS, Filipe Formação Filosófica e Crítica. Adorno e o ensino de filosofia em nível introdutório. 2003. 252 f. Tese [doutorado] Faculdade de Educação, PUC Rio. CEPPAS, Filipe Sobre as práticas filosóficas extra-acadêmicas In: KOHAN, Walter O. [org.] Filosofia. Caminhos para seu ensino Rio de Janeiro: DP&A, 2004, p. 155-167 CHAUÍ, Marilena Ensinar, aprender, fazer filosofia Revista do ICHL da Universidade Federal de Goiás v. 2, n. 1, p. 1-10, jan./jul. 1982 COMISSÃO DE EDUCAÇÃO, CULTURA e DESPORTO, CÂMARA DOS DEPUTADOS Audiência Pública sobre a volta da filosofia e da sociologia nos currículos de ensino médio Brasília, 2003. [mimeograf.: transcrição do NESEF, UFPR] DERRIDA, Jacques Du droit à la philosophie Paris: Galilée, 1990 ENSIFIL Banco de dados bibliográfico sobre ensino de filosofia disponível em http://www.unb.br/fe/tef/filoesco/base. acesso em 2/08/2005 GALLO, Sílvio, KOHAN, Walter Omar [orgs.] Filosofia no Ensino Médio Petrópolis: Vozes, 2000 GUSDORF, Georges. A Filosofia e a Universidade. In: A Filosofia e o Ensino da Filosofia Teses e debates apresentados no Encontro Nacional de Professores de Filosofia S. Paulo: Convívio, 1979, p. 11-64 HÜHNE, L. M. [org.] Política da Filosofia no Segundo Grau S. 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Paulo: Papirus, 1994 Núcleo de sustentação do GT Elisete Tomazetti [UFSM] <elisetem@via-rs.net> Filipe Ceppas [UGF] <filcepps@terra.com.br> Gabriele Cornelli [UMESP] <gabrielec@uol.com.br> Gonzalo Armijos Palácios [UFG] <garmijos@cultura.com.br> Humberto Guido [UFU] <guido@ufu.br> Junot Cornélio Matos [UNICAP] <junot@unicap.br> Márcio Danelon [Unimep - UFU] <madanelo@unimep.br> Marcos Lorieri [PUC-SP] <lorieri@sti.com.br> Maurício Rocha [UERJ, Duque de Caxias] <cawaipe@uol.com.br> Paula Ramos [UNESP, Araraquara] <paula-ramos@uol.com.br> Pedro Pagni [UNESP, Marília] <pagni@flash.tv.br> Rosely Giordano [UFPA] <philosofi@uol.com.br> Sérgio Sardi [PUC-RS] <sergioasardi@uol.com.br> Sílvio Gallo [UNICAMP] <sdogallo@iepmail.unimep.br> Walter Matias Lima [UFAL] <walter.lima@chla.ufal.br> Walter Omar Kohan [UERJ, Maracanã] <walterko@uol.com.br> saiba mais sobre os integrantes do núcleo de sustentação do GT |